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Sonda europeia já partiu à descoberta de Vénus

A primeira missão europeia a Vénus foi, esta quarta-feira, lançada com sucesso do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão. A TSF falou com um cientista português que vai participar nesta exploração.

A Venus Express começou a enviar os primeiros sinais duas horas depois do seu lançamento com êxito e após se ter separado, como previsto, do foguetão russo Soyuz.

«O bebé chorou», disse Jean Pierre Cau, coordenador do programa cientifico da EADS Astrium, a empresa responsável pela construção da sonda.

A Venus Express deverá chegar ao segundo planeta mais perto do sol em Abril de 2006, depois de 162 dias de viagem e orbitar a «estrela d´alva» durante 500 dias.

Envolvidos nesta exploração estão dois cientistas portugueses.

A TSF falou com um deles. David Luz explicou que esta é uma missão especialmente dedicada ao estudo da atmosfera de Vénus.

«A atmosfera vai ser estudada na sua globalidade. É uma atmosfera bastante diferente da terrestre, constituída por dióxido de carbono», afirmou.

«O planeta gémeo da Terra, digamos assim, teve uma evolução muito diferente do nosso e a Vénus Express vai ajudar a compreender esse desenvolvimento», acrescentou.

A análise da atmosfera de Vénus poderá também dar indicações sobre a geologia do planeta ou a eventual actividade de vulcões.

«Não sabemos se eles estão activos e uma das investigações tem a ver com o vulcanismo e com a eventual tectónica de placas, que pode gerar tremores de terra, ou melhor de Vénus. Existe a hipótese de detectar o efeito desses abalos sísmicos através das ondas que eles geram e se propagam na atmosfera», disse.

O cientista português explicou ainda qual o contributo nacional nesta missão europeia a Vénus, que está relacionado com a vigilância relativa a uma câmara que vai a bordo da missão

Este instrumento «obtém imagens da atmosfera em diferentes comprimentos de onda, a diferentes altitudes na atmosfera, e obtém os espectros que nos dão informação sobre a composição da atmosfera e a temperatura», adiantou David Luz.

A sonda poderá também ajudar a esclarecer o mistério da juventude dos materiais da crosta e fornecer mais dados sobre a ideia de que existiu um oceano no início da formação de Vénus.

Os cientistas interrogam-se também sobre as diferenças entre Vénus e a Terra. Os dois planetas têm características semelhantes no que se refere à massa, composição e idade, no entanto o «planeta gémeo» tem uma temperatura de 460 graus Celsius.



A espessa camada de nuvens que o envolve estará também na origem de um efeito de estufa que acaba por «cozer» a superfície do planeta, segundo os cientistas.

Com um custo ligeiramente superior a 220 milhões de euros, a Vénus Express foi desenvolvida em apenas quatro anos, a partir de instrumentos reciclados de anteriores missões da Agência Espacial Europeia.

Várias sondas norte-americanas e soviéticas já foram enviadas para Vénus desde 1961, nomeadamente a Mariner 2 (EUA, 1962), que foi a primeira a sobrevoá-lo, e Venera 7 (URSS, 1970), que nele pousou.

O lançamento da Vénus Express esteve prevista para o dia 26 de Outubro, mas acabou por ser adiada devido a problemas técnicos.

Venux Express (epa)®
 
   
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